sábado, 11 de abril de 2015


PEDINTE


Ando a mendigar pedindo em vão
P´los  atalhos da Via Dolorosa
Pela estrada agreste impiedosa
Que me agride em vez de me dar pão

Faminta e triste, levo pelo chão
A alma que Deus me deu, saudosa
Do tempo em que linda, caprichosa,
Guardava tesouros na minha mão.

E ao ver-te, afoita, vou pedindo
Num laivo de esperança ressurgindo
Abrindo minhas asas de condor...

- Sou pobre e de migalhas vivo,
Envolve-me sê o meu abrigo
Sacia-me a fome, meu amor.


Isa Pontes
A NOITE PASSADA

Esta noite atirei-me em teus braços
Que adivinhava serem poderosos
Imensos, loucos, longos, caprichosos
Em desatar nós górdios… embaraços…

Então, entrei no céu pelos teus braços
No meu corpo a tua boca… os teus ais
Fizeram-me acreditar ter chegado ao cais
E lancei aí cordas e outros laços…

Nem Eros saberia dar-me tanto
Pois me sentia imensa e imortal
Afrodite ao Olimpo elevada!

E quando acordei, para meu espanto,
Vi que era outra noite igual
 A tantas… como a noite passada.


                  Isa Pontes