PEDINTE
Ando a mendigar pedindo em vão
P´los atalhos da Via Dolorosa
Pela estrada agreste impiedosa
Que me agride em vez de me dar
pão
Faminta e triste, levo pelo chão
A alma que Deus me deu, saudosa
Do tempo em que linda,
caprichosa,
Guardava tesouros na minha mão.
E ao ver-te, afoita, vou pedindo
Num laivo de esperança
ressurgindo
Abrindo minhas asas de condor...
- Sou pobre e de migalhas vivo,
Envolve-me sê o meu abrigo
Sacia-me a fome, meu amor.
Isa Pontes

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